Pri Haydée

Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento,(...) Amor foge a dicionários e a regulamentos vários. Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor. De Carlos Drummond de Andrade

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Quarta-feira, Agosto 06, 2008
 

Imaginação



por Priscila Haydée




Ovídio e o livro

um caco de vidro

na mão




corta córtex

lambe o chão




Olívia e o vídeo

um pedaço de livre

preso

na tele-visão

cata os cacos

raspa os tachos



imag.in-

ação.



Priscila Haydée

23/07/2008



 

O Mito



Por PRISCILA HAYDÉE

Era uma vez

um certo homem

que dizia ser

REI

.

.

Dizia tanta coisa

tanta história

tanta vez

.

.

Meta de mentira

Metade talvez

__________ com tanta honra

__________ tanta retórica

__________ tanta altivez

que tanto faz

tanto fez!

.

.

Se não diz

inteiras verdades

OMITE

e é MITO!

... não sei...

.

Só sei qu'eu quase acreditei...
e não OMITO!!

PRISCILA HAYDÉE

27/07/2008


Terça-feira, Julho 22, 2008
 
Veja tambem, http://priscilahaydee.arteblog.com.br


Mentiras
Adriana Calcanhoto

Nada ficou no lugar
Eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo
Eu quero acordar sua família...

Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu gosto
Eu quero roubar no seu jogo
Eu já arranhei os seus discos...

____Que é pra ver se você volta,
_____Que é pra ver se você vem,
___Que é pra ver se você olha,
_______________Pra mim...

Nada ficou no lugar
Eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua alma
Queria falar sua língua...

Eu vou publicar os seus segredos
Eu vou mergulhar sua guia
Eu vou derramar nos seus planos
O resto da minha alegria...

Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...(2x)



Sexta-feira, Julho 04, 2008
 
Olá pessoal!!!

Talvez diminuam os artigos daqui

mas no http://priscilahaydee.arteblog.com.br

estarei sempre!!


Beijos!

Pri Haydée

Segunda-feira, Junho 30, 2008
 
UBATUBA, SIM!



UBATUBA, Sim, Sim, Sim!
ela tem lindas praias de areia dourada!
Ubatuba, sim, sim, sim!
Viver no Perequê, no Itaguá, na Enseada!

Ubatuba, sim, sim, sim!
Horizontes de mar e de montes sem fim
seu céu estrelado
de azul anilado
suas matas, seus rios,
seu Povo abençoado!

Eu amo Ubatuba
assim como ela é
sozinha, isolada,
Só com sua Fé.

Conquanto ela suba
ao progresso que vem,
que fique guardada
com tudo quanto tem!

UBATUBA, sim, sim, sim!
ela tem lindas praias de areia dourada!
Ubatuba, sim, sim, sim!

Da PICINGUABA extrema até a MARANDUBA
Ubatuba, sim, sim, sim!
Horizontes de mar e de montes sem fim

E o céu estrelado
De azul anilado
Da "TERRA ENCANTADA"
que a nossa alma derruba!

P.S: Ubatuba, lugar de minha infância querida... das férias mágicas!

A Foto é da Praia de Maranduba.

Segunda-feira, Junho 16, 2008
 
Petit mort pour rire
Por Tristan Corbière

Va vite, léger peigneur de comètes !
Les herbes au vent seront tes cheveux ;
De ton œil béant jailliront les feux
Follets, prisonniers dans les pauvres têtes...

Les fleurs de tombeau qu’on nomme Amourettes
Foisonneront plein ton rire terreux...
Et les myosotis, ces fleurs d’oubliettes...

Ne fais pas le lourd : cercueils de poètes
Pour les croque-morts sont de simples jeux,
Boîtes à violon qui sonnent le creux...
Ils te croiront mort - Les bourgeois sont bêtes -
Va vite, léger peigneur de comètes !



Quinta-feira, Junho 12, 2008
 
Dia 12 de junho, dia dos namorados...

Haikais de

Olga Savary





O DESEJO ABSOLUTO

Criar o amado
Sem a injustiça da forma
Sem o egoísmo do nome.


SUBMÁGICA

O vento chama-te em mim como uma fonte cega.
Estranhos, arribaram os pássaros da memória.
Em pouco nada de meu restará em mim: dou-te

Um ombro a cada tarde.


ÚNICO

Não transfiras o momento do teu sonho.
No instante em que ele vem, arrisca-te à sua fina lâmina:
Ele é tua única herança, teu legado único, único vestígio.


DESPERDÍCIO

Eu olharia quieta teu corpo tempo infinito
Mas não sei o que seria pior:
A imobilidade ou esta idéia fixa.


BALANÇO

Olho teu rosto como imagem parada um instante
Refletida no profundo fundo de um poço.
E da memória não me interessa nada mais que isto.


ROTA

Que arda em nós
Tudo quanto arde
E que nos tarde a tarde.


DE FOZ EM FORA

Mãos abanando, digo aos deuses: venha
A nós o vosso reino porque somos
Gente audaz que não teme a guerra

E deseja seja qual for a paz.


NOME

E este amor doido,
Amor de fera ferida,
É esse amor, meu amor,

O próprio nome da vida.


Olga Savary nasceu em Belém, Pará, 21 de maio de 1933, sob o signo de Gêmeos. Filha única de pai russo com ascendência francesa e mãe brasileira, estudou em Belém, em Fortaleza (Ceará) e Rio. Começou a escrever adolescente, em 1949. Publicou muitos de seus poemas em jornais e revistas do Rio, Belém e Minas Gerais, assinando alguns como Olenka.
...


AMEI lê-la!!

=)

Quinta-feira, Junho 05, 2008
 

Florbela Espanca



Aos olhos dele
Por Florbela Espanca



Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa;
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda a gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!



Vaidade
Por Florbela Espanca


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...

E não sou nada!...



Ser poeta
Por Florbela Espanca


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!



Velhinha
Por Florbela Espanca


Se os que me viram já cheia de graça
Olharem bem de frente para mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
"Já ela é velha! Como o tempo passa"!..."

Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio de oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até ao fim!

Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente...
Já murmuro orações... falo sozinha...

E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos...


>> Não há como negar o talento de Florbela Espanca... Não há como negar sua grande poesia!
Há quem se perca em seus versos, quem sonhe seus sentimentos...
A graça de uma obra de arte está em fazer com que sintam o que se sente...
É reciclar os sentimentos, fazer sofrer quem vive sorrindo; fazer sorrir, quem vive chorando...
Fazer os bravos, macios como um pedaço de olhar apaixonado...

Mas há quem prefira uma comédia ao drama... e comédia precisa contexto,
drama é sempre drama...

E tudo faz parte do ser humano...

Divirtam-se!
Pri Haydée


Quarta-feira, Junho 04, 2008
 
Poema da noite

Gargalhada
Por Cecília Meirelles



Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:

Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!

Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais,
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas,
destruir as lâmpadas, abater cúpulas,
e atirar para longe os pandeiros e as liras...

O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.
Mas é preciso ter baixelas de ouro,
compreendes?
— e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.
E as lâmpadas, Deus do céu!
E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trêmulas...

Escuta bem:

Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!

Só de três lugares nasceu até hoje essa música heróica:
do céu que venta,
do mar que dança,
e de mim.


Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro RJ em 7 de novembro de 1901. Órfã muito cedo, foi educada pala avó materna e diplomou-se professora pelo Instituto de Educação em 1917. Viajou pela Europa, Estados Unidos e Oriente e logo dedicou-se ao magistério. No exercício da profissão, participou ativamente do movimento de renovação do sistema educacional brasileiro. Fundou, em 1934, a primeira biblioteca infantil do país e, de 1936 a 1938, lecionou literatura luso-brasileira, técnica e crítica literária na universidade do então Distrito Federal. Ensinou na Universidade do Texas (1940) e colaborou na imprensa carioca, escrevendo sobre folclore, tema de sua especialidade.


Segunda-feira, Junho 02, 2008
 
Sabe aqueles dias em que algo te pega de repente... e consegue te comover ...

algo com sentimento, com certeza, pois só sentimentos podem comover...mover...

um sentimento bonito, apesar triste, humano, meio além disso...
que vai além... de reflexão... flexão...



Aí segue a música nas duas interpretações que eu mais gostei,
que mais me emocionaram...
Nas Vozes de Damien Rice e Jeff Buckley

http://www.youtube.com/watch?v=vsa_xWLOghg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=aaHdeNN_ee0

Hallelujah
Composição: Leonard Cohen

I heard there was a secret chord
that David played and it pleased the lord
but you don't really care for music do ya
Well it goes like this the fourth the fifth
the minor fall and the major lift
the baffled king composing hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah

Well your faith was strong but you needed proof
you saw her bathing on the roof
her beauty and the moonlight overthrew you
she tied you to a kitchen chair
she broke your throne and she cut your hair
and from your lips she drew the hallelujah.

Hallelujah,hallelujah, hallelujah, hallelujah

Baby I've been here before
I've seen this room and I've walked this floor
You know, I used to live alone before I knew you
And I've seen your flag on the marble arch
and love is not a victory march
it's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah,hallelujah, hallelujah, hallelujah

Well there was a time when you let me know
what's really going on below
but now you never show that to me do you
but remember when I moved in you
and the holy dove was moving too
and every breath we drew was hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah

Well maybe there's a god above
but all I've ever learned from love
was how to shoot somebody who outdrew you
And it's not a cry that you hear at night
it's not somebody who's seen the light
it's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah

P.S: A imagem é Blue Nude, Nú Azul, de Pablo Picasso...

um sentimento humano...
humano...
uma história com pontos de vista... que daria
um grande filme... um belo drama...


A história de um rei, que se apaixona por uma mulher casada...
e então, no impulso da paixão, manda o esposo dela para a guerra,
no pelotão da frente... Para que morresse... E assim, ela fica livre para ser
sua...
Após o fato consumar-se, ele cai em si que foi desumano, pois desrespeitou seu
próximo, interferiu na vida, abusou de sua posição social, de seu poder...
e então... como preço por isso, perde seu filho... e sente a dor
de perder quem tanto ama...


Domingo, Junho 01, 2008
 
São demais os perigos desta vida
Por Toquinho e Vinícius de Moraes

São demais os perigos desta vida pra quem tem paixão
Principalmente quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma musica qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua



Domingo, Maio 25, 2008
 
Comentário sobre Plágio:
Por Augusto Teixeira
pós ler o texto abaixo...



É estranho o Plágio...
Antigo...

Para eu ser eu preciso me registrar
Se não, não sou de ninguém...

Posso ser roubado, adulterado.
É estranho.


 
Nota sobre PLÁGIO
Por Priscila Haydée



Olá Pessoal!

Senti necessidade de comentar à respeito do PLAGIO, devido a um acontecimento atual...
Já resolvido, graças a Deus! Porque a ARTE, pra mim, é a manifestação divina em cada um, visto que é manifestação do nosso lado não-material...
Dos sentimentos e de como nossos sentidos captam a materialidade!
É brincar de fazer mágica, de mudar a realidade..
E sentir por alguns instantes que aquela sua ARTE pode mudar o mundo e você ser o HERÓI da grande saga!!


Uma vez Drummond
escreveu algo sobre a necessidade de dividir o que sentia com o mundo,
que o sentimento era tamanho que não cabia nele e precisava ir para o papel...
"Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,por isso me grito,
por isso freqüento os jornais,
me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno."


Vinicius de Amores, como gosto de chama-lo,
escreveu sobre os olhos da amada,
sobre a moça do Miramar,
sobre a separação,
sobre os filhos...

Aqui perto de onde moro,
cresceu Monteiro Lobato,
que criou histórias infantis inspiradas naquele sítio,
naquelas jaqueiras, pitangueiras, goiabeiras;
na avó do Pedro,
que lhe mandava cartas
e parecia a avó perfeita para todos os meninos;
na pagem dos seus filhos (Anastácia)...

Uma vez eu escrevi sobre Elisa...
Nesse dia, um grande amigo havia me contado,
extremamente orgulhoso,
que ia ser o espala dos violinos na orquestra da cidade dele e ia tocar Bethoven..
Então resolvi ouvir o que ele iria tocar...
Usei até em terapia com meus pacientes...
Foi então que senti a música e a inspiração de escrever sobre o que Bethoven teria dito a ela com palavras se o seu dom fosse a poesia ao invés da música...

Acredito que poesia ou qualquer obra de arte faça parte do artista que a produziu, faça parte de sua história.
Uma poesia pode ser linda e, mesmo que não seja, pertence a alguém que sentiu o que ali está escrito.
Dane-se se é boa ou não, se alguém vai ler ou não, se vai trazer reconhecimento ou qualquer outra coisa...
Importa que é a história de alguém e deve ser respeitada como tal.

Eu senti um mal-estar quando vi a obra de uma colega sendo plagiada,
pois me senti no lugar dela, caso tenha sido realmente plagiada...
É como se alguém tivesse me roubado os sentimentos!

A sociedade evolui (ironia)...
Até aquilo que pensamos não ser possível tirar da gente,
estão conseguindo tirar (nossos pensamentos, sentimentos, história, experiência, aprendizado...)!

NINGUÉM PODE ROUBAR A HISTÓRIA DE VIDA DE CADA UM
NEM OS PENSAMENTOS
NEM OS SENTIMENTOS
VIVÊNCIAS
MEMÓRIAS
AMORES
BEIJOS
DORES
...

Desculpem o teor das palavras...
Mas acho que fatos assim devem ser muito bem apurados,
pois o teor de uma atitude como essas
merece maior teor do que os de minhas palavras...

Pri Haydée
10/04/2008

 
Quando alguém perguntava ao palhaço Picolino



Afinal...
O que é ser Palhaço??

Ele declamava:

"eu quero explicar a vocês
o que é ser um palhaço
o que é ser o que eu sou
e fazer isso o que eu faço

ser palhaço é saber distribuir
alegria e bom humor
e com esforço contentar
o público espectador

muita gente diz “palhaço”
quando quer xingar alguém
e esse nome pronunciam
com escárnio e desdém

e ao ouvir esta palavra
outros sentem até pavor
como se palhaço fosse
criatura inferior

mas de uma coisa fiquem certos
para ser um bom palhaço
É preciso alma forte
e também nervos de aço

e além de tudo é preciso
ter um grande coração
para sentir isso o que eu sinto
grande amor à profissão

o palhaço também tem
suas noites de vigília
pois lá na sua barraca
ele tem a sua família

palhaço, meus amigos,
não é nenhum repelente
palhaço não é bicho
palhaço também é gente

falo isso em meu nome
e em nome de outros palhaços
que muitas vezes trabalham
com a alma em pedaços

ser palhaço
É saber disfarçar a própria dor
É saber sempre esconder
que também é sofredor

porque se o palhaço está sofrendo
ninguém deve perceber
pois o palhaço nem tem
o direito de sofrer"

......... lindo... =)

Sexta-feira, Maio 23, 2008
 
AMO poesia com entrelinhas, com sentidos diversos, com brincadeiras inteligentes... Quando ela parece ter saído fácil fácil, mas é cheia de espaços, que me levam a outra dimensão!! Pri...


Ponto sem nó




Música: Itamar Assumpção
Letra: Alice Ruiz

você não dá
ponto sem nó
ponto cruz
ponto cheio
ponto ajour
jura que não
vive sem nós
mas nunca diz
a que veio
mon amour
nosso enredo enrolado
todo emaranhado
tecido por linhas tortas
foi desfiado
a trama é toda sua
personagem principal
quanto a mim
resta o papel vilão
do ponto final



 
A alegria
Por Ferreira Gullar



O sofrimento não tem
nenhum valor
Não acende um halo
em volta de tua cabeça, não
ilumina trecho algum
de tua carne escura
(nem mesmo o que iluminaria
a lembrança ou a ilusão
de uma alegria).

Sofres tu, sofre
um cachorro ferido, um inseto
que o inseticida envenena.
Será maior a tua dor
que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta
sem ao menos poder morrer?

______ A justiça é moral, a injustiça
não. A dor
te iguala a ratos e baratas
que também de dentro dos esgotos

espiam o sol
e no seu corpo nojento
de entre fezes
______________ querem estar contentes.



 
Cantiga para não morrer
Por Ferreira Gullar


Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.





 
Subversiva
Por Ferreira Gullar



A poesia
quando chega
___________ não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
__________________ Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
_________________________ relincha
como puta
______ nova
______ em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
reconsidera: beija
____________ nos olhos os que ganham mal
____________ embala no colo
____________ os que têm sede de felicidade
____________ e de justiça

E promete incendiar o país



 
Barulho
Por Ferreira Gullar



Todo poema é feito de ar
apenas:
_______ a mão do poeta
_______ não rasga a madeira
_______ não fere
_____________ o metal
_____________ a pedra
_______ não tinge de azul
_______ os dedos
_______ quando escreve manhã
_______ ou brisa
_______ ou blusa
_____________ de mulher.

O poema
é sem matéria palpável
_______ tudo
_______ o que há nele
_______ é barulho
_____________ quando rumoreja
_____________ ao sopro da leitura.


 
Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada
F. Pessoa... Alberto Caeiro

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.



 
Por Clarice Lispector



É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer
porque no momento em que tento falar
não só não exprimo o que sinto
como o que sinto
se transforma lentamente no que eu digo.


Estava em texto corrido, eu organizei pra ficar mais atraente... =)
Pri

 
Por Fernando Pessoa - Heterônimo Ricardo Reis



Segue o teu destino,
Rega a tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis


 
Por Fernando Pessoa - Heterônimo Alberto Caeiro

Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho

Alberto Caeiro

 
Por Fernando Pessoa - Heterônimo Álvaro de Campos

Pensar em nada
é ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida.

Álvaro de Campos

 
Por Fernando Pessoa - heterônimo Ricardo Reis

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.

Ricardo Reis

 
Por Vinicius de Moraes...



Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não



Segunda-feira, Maio 19, 2008
 
NOSSA VIDA NÃO VALE UM CHEVROLET
Por Mario Bortolotto Direção: Márcio Vaccari
http://www.youtube.com/watch?v=Jj4jypvYryk&feature=related


Há muito tempo você anda comigo
Cê sabe eu me emputeço, eu xingo, eu brigo
Eu te ligo no meio da noite
Pra dizer que o mal
O mal mora em mim

O mal pula comigo na piscina e não se afoga
O mal joga xadrez em tardes quentes e não se afoba
Eu não pedi pra minha vida ser o que ela é
A ira de Deus, um disco de jazz

Nossa vida não vale o amor de uma mulher
Nossa vida não vale, não vale um chevrolet


(abstraiam os palavrões e questões céticas..rs não tem haver comigo... mas é uma letra de música que eu acho forte! boa!)

Terça-feira, Abril 29, 2008
 
Por Priscila Haydée



Há vagas!
________Por Priscila Haydée



A beleza que existe
numa pétala de flor
com cheiro de orvalho
polinizado

A pureza que insiste
ante a violência atual
e aos valores comerciais

Incide...
_______ Inside...
__insight!


E emana
irmana
Profana

Chupa cana
e come rapadura!

_____Brandura
Brancura
__ cura
____ dura,
rapá...

A dureza que persiste
na árvore revolucionária
ante o temporal

ou a curveleza
inquebrável
da cintura requebrável!


Jogam

_______ Disputam

Uma vaga nesse poema!

29/03/2008



Zoom

________ Por Priscila Haydée

Ana Camila
dorme Sobre a cama
aconchegante Enrolada
ao cobertor Que escapa em partes
E esbarra nos chinelos ao pé da cama
Próximos à janela daquele quarto Ao lado da cozinha
Longe da sala Daquela casa Num terreno razoável Endereçado àquela rua
Cheia de outras casas e postes De onde brilham tantas luzinhas
As quais vejo através desse vidro fosco E gotejado há quilômetros De dentro desse ônibus que passa à 100Km/h nessa rodovia rumo à minha cidade...


Priscila Haydée
Abril, 2008



In___stante
__ con


________________Por Priscila Haydée


É que nem tudo é pra sempre
daqui à eternidade

E nem sempre a amizade
consegue se desvencilhar
do amor que a gente sente

Nem sempre o riso
consegue fingir que é alegria
a dor que a gente mente

Que o nosso "pra sempre"
dure um pouco mais
que nossas lembranças
Descansem em paz

Porque
nem tudo é pra sempre
nem o Adeus
Nem o jamais...


Priscila Haydée
24/02/2008



Sábado, Abril 26, 2008
 

Metade


Por Oswaldo Montenegro



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Segunda-feira, Abril 21, 2008
 

Berimbau


Vinicius de Moraes
Composição: Baden Powell e Vinicius de Moraes



Quem é homem de bem
Não trai!
O amor que lhe quer
Seu bem!
Quem diz muito que vai
Não vai!
Assim como não vai
Não vem!...

Quem de dentro de si
Não sai!
Vai morrer sem amar
Ninguém!
O dinheiro de quem
Não dá
É o trabalho de quem
Não tem!
Capoeira que é bom
Não cai!
E se um dia ele cai
Cai bem!...

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...



Domingo, Abril 13, 2008
 

Eu não sou melhor, nem pior que ninguém...

Sou diferente!

Tenho o meu jeito de ser
e se todo mundo tem um jeito
e se todo mundo entedesse isso

Talvez tudo fosse melhor
ao invés disso...

Priscila Haydée
13/04/2008

Domingo, Março 30, 2008
 
Por Fernando Pessoa



“Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.”


Terça-feira, Março 18, 2008
 

Versos escritos com bisturi



Marianne Moore





OS PEIXES

vade-
ando negro jade.
___ Das conchas azul-corvo um marisco
___ só ajeita os montes de cisco;
_____ no que vai se abrindo e fechando

é que
nem ferido leque.
___ Os crustáceos que incrustam o flanco
___ da onda ali não encontram canto,
_____ porque as setas submersas do

sol,
vidro em fibras sol-
___ vidas, passam por dentro das gretas
___ com farolete ligeireza —
_____ iluminando de vez em

vez
o oceano turquês
___ de corpos. A correnteza crava
___ na quina férrea da fraga
_____ uma cunha de ferro; e estrelas,

grãos
de arroz róseos, mães-
___ d'água tintas, siris que nem lírios
___ verdes e fungos submarinos
_____ vão deslizando uns sobre os outros.

As
marcas externas
___ de mau-trato estão todas presentes
___ neste edifício resistente —
_____ todo resquício material

de a-
cidente — ausência
___ de cornija, machadadas, queima e
___ sulcos de dinamite — teima em
_____ ressaltar; já não é o que era

cova.
Repetida prova
___ demonstrou que ele pode viver
___ do que não pode reviver
_____ seu viço. O mar nele envelhece.


THE FISH

wade
through black jade.
___ Of the crow-blue mussel-shells, one keeps
___ adjusting the ash-heaps;
_____ opening and shutting itself like

an
injured fan.
___ The barnacles which encrust the side
___ of the wave, cannot hide
_____ there for the submerged shafts of the

sun,
split like spun
___ glass, move themselves with spotlight swiftness
___ into the crevices —
_____ in and out, illuminating

the
turquoise sea
___ of bodies. The water drives a wedge
___ of iron through the iron edge
_____ of the cliff; whereupon the stars,

pink
rice-grains, ink-
___ bespattered jelly fish, crabs like green
___ lilies, and submarine
_____ toadstools, slide each on the other.

All
external
___ marks of abuse are present on this
___ defiant edifice —
_____ all the physical features of

ac-
cident — lack
___ of cornice, dynamite grooves, burns, and
___ hatchet strokes, these things stand
_____ out on it; the chasm-side is

dead.
Repeated
___ evidence has proved that it can live
___ on what can not revive
_____ its youth. The sea grows old in it.


POESIA


Também não gosto.
___ Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a
____________________ [ gente acaba descobrindo
___ nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno.


POETRY

I, too, dislike it.
___ Reading it, however, with a perfect contempt
___________________ [ for it, one discovers in
___ it, after all, a place for the genuine.

poesia.net
Carlos Machado, 2003
Marianne Moore
In Poemas
Tradução e posfácio de
José Antonio Arantes
Companhia das Letras, São Paulo, 1991



Segunda-feira, Março 03, 2008
 
Le Grand Peut-être...

I will find...

Porque o morro tem vez

no maaaaar.....

:D

Sábado, Fevereiro 02, 2008
 
Não Precisa Mudar
Saulo Fernandes/ Gigi


Não precisa mudar
Vou me adaptar ao seu jeito
Seus costumes, seus defeitos
Seu ciúme, suas caras
Pra quê mudá-las ?
Não precisa mudar
Vou saber fazer o seu jogo
Saber tudo do seu gosto
Sem deixar nenhuma mágoa
Sem cobrar nada

Se eu sei que no final fica tudo bem
A gente se ajeita numa cama pequena
Te faço um poema, te cubro de amor

Então você adormece
Meu coração enobrece
E a gente sempre se esquece
De tudo o que passou


Sábado, Janeiro 12, 2008
 
..."Espero que você saiba, espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você
Isso é pessoal, eu comigo mesma
Nós temos que ajeitar algumas coisas ...
E eu sentirei sua falta como uma criança sente falta de seu cobertor
Mas eu tenho que tocar minha vida
É hora de ser uma garota grande agora
E garotas grandes não choram
Não choram, não choram, não choram

O caminho que estou trilhando, eu devo ir sozinha
Eu devo dar pequenos passos até estar totalmente amadurecida
Contos de fada nem sempre têm finais felizes
E eu prevejo confusão se eu ficar

Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você
Isso é pessoal, eu comigo mesma
Nós temos que ajeitar algumas coisas...
E sentirei sua falta como uma criança sente falta de seu cobertor
Mas eu tenho que tocar minha vida
É hora de ser uma garota grande agora
E garotas grandes não choram

Como colegas no pátio da escola
Nós jogaremos cartas e trocaremos figurinhas
Eu serei sua melhor amiga
E você será o meu namorado
Você pode segurar minha mão se quiser
Porque eu quero segurar a sua também
Nós seremos amigos e amantes e compartilharemos nossos mundos secretos
Mas está na hora de eu ir pra casa
Está ficando tarde, está escuro lá fora
Eu preciso me encontrar centrada com claridade, paz e seriedade

Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você
Isso é pessoal, eu comigo mesma
Nós temos que ajeitar algumas coisas...
E eu sentirei sua falta como uma criança sente de seu cobertor
Mas eu tenho que tocar minha vida
É hora de ser uma garota grande agora
E garotas grandes não choram".

num sei a fonte... :(

Sábado, Janeiro 05, 2008
 
No Dia Em Que Eu Saí De Casa
Zezé Di Camargo E Luciano

No dia em que saí de casa minha mãe me disse filho vem cá
Passou a mão em meus cabelos, olhou em meus olhos começou falar
Por onde você for eu sigo com meu pensamento sempre onde estiver
Em minhas orações eu vou pedir a Deus
Que ilumine os passos seus
Eu sei que ela nunca compreendeu
Os meu motivos de sair de lá
Mas ela sabe que depois que cresce
O filho vira passarinho e quer voar
Eu bem queria continuar ali
Mas o destino quis me contrariar
E o olhar de minha mãe na porta
Eu deixei chorando a me abençoar

A minha mãe naquele dia me falou do mundo como ele é
Parece que ela conhecia cada pedra que eu iria por o pé
E sempre ao lado do meu pai da pequena cidade ela jamais saiu
Ela me disse assim meu filho vá com Deus
Que este mundo inteiro é seu


 
Lá vou eu
Tema irmão Urso - Disney

O pé na estrada eu vou botar
Que já tá na hora de ir
Um mundo, um horizonte e um céu azul
O que mais eu poderia pedir?

O pé na estrada eu vou botar
E o coração eu quero abrir
Sob os raios do sol
Sigo um sonho meu
Eu não posso deixar de sorrir

Nada é melhor do que amigos rever
Ainda que demore a chegar
As histórias vão fazer você sorrir
Vão fazer você sonhar

Que todos saibam:
Lá vou eu
Por novos caminhos seguir
Com a lua lá no céu a olhar pra mim
Eu vou sob as estrelas dormir

E se a chuva cair
Não vou parar
Qualquer tempestade tem fim
E o vento no meu rosto a soprar,
Me faz sonhar
O que eu quero é caminhar assim

Hoje eu vou seguindo
Meu caminho
Eu vou seguindo
(assobios)
Eu vou seguindo
(assobios)
Eu vou seguindo
(assobios)
Eu vou seguindo

Que todos saibam que lá vou eu,
E que o que eu mais quero é chegar (o que eu mais quero é chegar)
Com um lindo horizonte e um céu azul
Histórias eu quero contar (eu quero contar)

Que todos saibam que lá vou eu (sim, lá vou eu)
Caminhando eu vou pro meu lar (caminhando vou pro meu lar)
Sob os raios do sol sigo um sonho meu
Histórias eu quero contar

(sim, lá vou eu)
Olha lá vou eu
(risos)




Terça-feira, Janeiro 01, 2008
 
Mensagem de ANO NOVO
Por Priscila Haydée


Nunca fiz de meu blog algo para publicações diárias... Explico: diário, diário de bordo, diário de adolescente, etc... Sempre busquei publicar arte, ou qualquer texto que me inspire, mas essa noite sinto uma enorme vontade de fazer algumas reflexões devido a alguns momentos importantes que tenho passado.
Sempre acreditei no amor como o algo mais que faz da humanidade mais humana e vivível. Nunca deixarei de acreditar nisso.
Mas o amor é uma lição que está sempre sendo repassada, reinventada, reestruturada, e muitos "res" nessa vida... Já cheguei a pensar que me encaixava direitinho naquela música "eu só peço a Deus um pouco de malandragem, pois sou criança e não conheço a verdade... Eu sou poeta e não aprendi a amar..." É, meus caros, como diria o Drummond, um pouco de prosa pra essa poeta!! Prefiro escrita poética, mas hoje, dia 1° de janeiro, começo com algo novo, escrita em prosa!
Então, proseêmos!
Nunca poderei dizer que não soube ou não sei amar! Vivo disso e é fato! Mas a quem importa algumas vivências pessoais?? Então vamos universalizar a coisa em questão: Quem nunca amou alguém? Quem nunca sentiu aquele friozinho na barriga e aquele medo apavorante de não ter ou perder alguém?
Dizem que a gente ama uma só vez na vida... Isso só pode ser uma grande mentira!
Amei muito nessa vida, de muitas formas... Amei até esquecer de mim mesma, amei a mim mesma, amei mais que a mim mesma, amei... amei... AMÉM!
Amarei, amarei, amarei... Enquanto houver fôlego, enquanto valer a pena... e quando não valer mais a pena... Amarei...

Tenho amado grandemente, e isso tem sido maior que eu ou maior que qualquer vontade própria... Mas o fato é que ainda que ame EXAGERADAMENTE, preciso preservar sempre mais o amor-próprio! Acredito ter chegado em uma fase da minha vida em que sou capaz de saber exatamente o que eu quero, acredito que a maturidade que venho construindo tem feito me gostar muito mais, e entender que o amor-próprio é essencial pra qualquer outro amor prosperar... Acontece que saber o que se quer nem sempre é a solução. Pois existem coisas que não dependem da gente! E então é necessário decidir: resignar ou lutar? Mas se eu disser que já lutei assustadoramente? Não minto. Já lutei. Talvez não como eu quisera um dia, mas por duas vezes tentei e acredito não caber mais nenhuma atitude. Então me resta apenas a opção "resignar". Pois é, parece nada romântica essa atitude. Mas olhemos por outro ponto de vista, não o do amor por outra pessoa, mas aquele que falei ainda pouco, o do amor-próprio! Se olharmos pra esse aspecto, estou sendo extremamente romântica!
É a bendita e velha história, "gostar de quem gosta de mim"... E eu vou tentar, vou tentar com toda a minha força, com toda a minha alma, até não aguentar mais lutar, vou tentar, pra que seja MAIOR!


... como diriam alguns novos "por que que o mar não se apaixona por uma lagoa, por que que a gente nunca sabe de quem vai gostar?!". Não quero definir aqui o que é o amor. Quantos grandes já o fizeram e sempre as definições ficaram incompletas?... Cada um sob sua óptica! E não interessa aqui definir o amor, rotulando-o de forma banal ou pessoal. Interessa vivê-lo!, senti-lo!, vesti-lo!

Qualquer coisa que se queira, necessita algo dentro de si maior que a inércia de ficar parado, necessita algo maior que o sonho, que talvez envolva fé, que talvez envolva merecimento, que necessita vida... E no ano que se inicia e em todos os anos de sua vida, seja Maior que qualquer poeira ou pedra, Maior que qualquer sono ou desmaio... Maior que qualquer tremedeira ou medo... Seja Maior!

Esteja com o Maior e seja MAIOR daqui pra frente...

Que 2008 seja O Ano!! Que ele seja um ponto importante na sua biografia, que marque época!
E que você comece e viva-o com toda energia, pique, força, e que essa força se renove no outro ano, de 2009... E depois nos outros anos... E outros anos... E outros anos...
Pra que você sinta saudades dos anos que passaram, mas não muita saudade, pra não perder o tempo de algum ano vivendo o passado...

Um grande abraço,
Priscila Haydée
:D



Domingo, Dezembro 02, 2007
 
Sorri (smile) -



Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias
tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador, sorri

Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros
cansados, doridos

Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz!

Sorri
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias
tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador, sorri

Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros
cansados, doridos

Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz!


Sábado, Dezembro 01, 2007
 
Não sei como
Por Belén Sánchez



Não sei como chegar à tua casa perdida,
a tua casa emaranhada nas antenas
como um trapo miserável, esquecido.

Não sei como entrar no teu bairro na tua vida,
a tua vida de puzzles e de palmeiras,
o teu bairro de lata e de armaduras.

Não sei como ir da minha vida à tua rua,
a tua rua cheia de perguntas,
a minha vida estranha sem respostas.
Mas chegarei. Porque tu me chamas.



Sexta-feira, Novembro 30, 2007
 
Filosofando...



"Ao contrário do que estabelecera a tradição da psicologia racional, nossa subjetividade não é constituída pela faculdade cognitiva de nossa ‘alma’, isso é, por nosso intelecto, razão, ou consciência. Nosso ‘eu’, nosso si mesmo, é infinitamente mais complexo do que a unidade aparentemente simples da auto-consciência. O que é, então, nosso si mesmo? O que nos constitui como sujeitos? “Por detrás de teus pensamentos e sentimentos, meu irmão, se encontra um poderoso senhor e um sábio desconhecido – ele se chama si mesmo. Ele habita o teu corpo, ele é o teu corpo. Há mais razão em teu corpo do que em tua melhor sabedoria. E quem sabe, aliás, para que o teu corpo necessita justamente da tua melhor sabedoria? Teu si mesmo se ri do teu eu ede seus saltos orgulhosos. ’O que são para mim esses saltos e asas do pensamento’?, diz ele consigo. Um desvio para as minhas finalidades. Eu sou a andadeira do eu e aquele que infla os seus conceitos.” Percebe-se, pois, o que está em jogo essencialmente aqui: uma versão do programa filosófico de transvaloração dos valores. Se a certidão de nascimento da filosofia moderna fora lavrada a partir de uma concepção de subjetividade definida a partir da consciência, a crítica de Nietzsche inverte esse primado. Mas não se limita apenas a efetuar uma reviravolta que deixasse intactos os pólos invertidos da oposição, trocando apenas as estimativas de valor. Uma vez revelada a origem lógico-gramatical da substância-alma, sua natureza ilusória, Nietzsche busca também uma redefinição o corpo. O corpo, como o Selbst (si mesmo) tem uma natureza muito mais profunda e complexa do que supusera a tradição. Ele não é apenas ‘a carne’ e a sede das paixões, desejos e desgarramentos, nem mesmo a res extensa, de que cogitara Descartes; ao contrário do que pensara o platonismo e o Cristianismo, o corpo não é a prisão do espírito, o oposto da razão. Para Nietzsche, o corpo é a grande razão: “O corpo é uma grande razão, uma multiplicidade com um únicosentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor. Instrumento do teu corpo é também tua pequena razão, meu irmão, que tu denominas ‘espírito’, uma pequena ferramenta e um brinquedo de tua grande razão. ‘Eu’, dizes tu, e estas orgulhoso dessa palavra. Mas aquilo que é maior, em que não queres crer – teu corpo e sua grande razão – não diz eu, porém faz eu. Aquilo que os sentidos sentem e que o espírito conhece, não tem neles mesmos seu fim. Porém sentido e espírito te convencem de que eles são o fim de todas as coisas – tão vaidosos são eles. Ferramenta e brinquedo são sentidos e espírito: atrás dele se encontra ainda o si mesmo. O si mesmo procura com os olhos dos sentidos, escuta com os ouvidos do espírito.” Portanto, aquilo que a tradição confundia com a estrutura nuclear da subjetividade – a consciência, razão, ou espírito – nada mais é que a ténue superfície de uma profundidade insondável, daquela grande razão, que é o corpo."

trecho de um artigo que li meio por cima... mas parece interessante: http://www.fafich.ufmg.br/~petcs/giacoiaprov.pdf

Quarta-feira, Novembro 28, 2007
 
SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS



A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)


 
CARTA



Meu caro poeta,

Por um lado foi bom que me tivesses pedido resposta urgente, senão eu jamais escreveria sobre o assunto desta, pois não possuo o dom discursivo e expositivo, vindo daí a dificuldade que sempre tive de escrever em prosa. A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar. O poema, não; descreve uma parábola tracada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje e há versos de hoje que os pósteros lerão com aquela cara com que lemos os de Filinto Elísio. Aliás, a posteridade é muito comprida: me dá sono. Escrever com o olho na posteridade é tão absurdo como escreveres para os súditos de Ramsés II, ou para o próprio Ramsés, se fores palaciano. Quanto a escrever para os contemporâneos, está muito bem, mas como é que vais saber quem são os teus contemporâneos? A única contemporaneidade que existe é a da contingência política e social, porque estamos mergulhados nela, mas isto compete melhor aos discursivos e expositivos , aos oradores e catedráticos. Que sobra então para a poesia? - perguntarás. E eu te respondo que sobras tu. Achas pouco? Não me refiro à tua pessoa, refiro-me ao teu eu, que transcende os teus limites pessoais, mergulhando no humano. O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade." E o poeta, quanto mais individual, mais universal, pois cada homem, qualquer que seja o condicionamento do meio e e da época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano. Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos!

Meu poeta, se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as disgressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me colocas na insustentável situação em que me vejo quando essas meninas dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazer pesquisas com perguntas assim: "O que é poesia? Por que se tornou poeta? Como escrevem os seus poemas?" A poesia é dessas coisas que a gente faz mas não diz.

A poesia é um fato consumado, não se discute; perguntas-me, no entanto, que orientação de trabalho seguir e que poetas deves ler. Eu tinha vontade de ser um grande poeta para te dizer como é que eles fazem. Só te posso dizer o que eu faço. Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras. Por vezes uma rima até ajuda, com o inesperado da sua associação. (Em vez de associações de idéias, associações de imagem; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna.) Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo (a falta de memória é uma bênção nestes casos). Vem logo o trabalho de corte, pois noto logo o que estava demais ou o que era falso. Coisas que pareciam tão bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema) tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema. Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com o cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da Criação.

Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos 17 anos. Há na Bíblia uma passagem que não sei que sentido lhe darão os teólogos; é quando Jacob entra em luta com um anjo e lhe diz: "Eu não te largarei até que me abençoes". Pois bem, haverá coisa melhor para indicar a luta do poeta com o poema? Não me perguntes, porém, a técninca dessa luta sagrada ou sacrílega. Cada poeta tem de descobrir, lutando, os seus próprios recursos. Só te digo que deves desconfiar dos truques da moda, que, quando muito, podem enganar o público e trazer-te uma efêmera popularidade.

Em todo caso, bem sabes que existe a métrica. Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra própria, espelho grafológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever um soneto clássico. Verás com o tempo que cada poema, aliás, impõe sua forma; uns, as canções, já vêm dançando, com as rimas de mãos dadas, outros, os dionisíacos (ou histriônicos, como queiras) até parecem aqualoucos. E um conselho, afinal: não cortes demais (um poema não é um esquema); eu próprio que tanto te recomendei a contenção, às vezes me distendo, me largo num poema que vai lá seguindo com os detritos, como um rio de enchente, e que me faz bem, porque o espreguiçamento é também uma ginástica. Desculpa se tudo isso é uma coisa óbvia; mas para muitos, que tu conheces, ainda não é; mostra-lhes, pois, estas linhas.

Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que no entanto me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.

Enfim, meu poeta, trabalhe, trabalhe em seus versos e em você mesmo e apareça-me daqui a vinte anos. Combinado?

Mario Quintana



 
A COISA



A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

Mario Quintana (Caderno H)


 
AH! OS RELÓGIOS



Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana - A Cor do Invisível

 


Fere de leve a frase... E esquece... Nada
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Mario Quintana

 
....Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher...



"Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoa-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos."

"Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados."

"Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo."

"E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você
junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E vocêaprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida !!!"

William Shakespeare


Quinta-feira, Novembro 15, 2007
 
Mutum
Baseado na obra de João Guimarães Rosa, conta a história de um garoto de 10 anos com uma visão de mundo diferente



A cidade de Mutum é um canto quase esquecido em Minas Gerais. É lá que vive o garoto Thiago, ao lado do irmão Felipe. Este é o único amigo do menino, que mesmo com apenas 10 anos, consegue ter uma visão muito diferente do mundo. Através dos olhos dele, é apresentada uma ótica diferente dos adultos, suas atitudes, seus sentimentos e de toda a perda que a vida lhe impõe.

O premiado filme da brasileira Sandra Kogut foi aplaudido pelos festivais que passou, ganhando um troféu no Festival do Rio 2007. O longa é baseado na obra Campo Geral, de Guimarães Rosa. As filmagens foram feitas em Minas Gerais e boa parte do elenco é formada por atores não-profissionais.

http://www.guiadasemana.com.br/film.asp?ID=11&cd_film=1970


 
Paciência
Lenine
Composição: Lenine e Dudu Falcão

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



Domingo, Outubro 28, 2007
 
Sintaxe À Vontade
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli



Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida
todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto e indireto
nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas pode ser aposto
e eu aposto o oposto que vou cativar a todos
sendo apenas um sujeito simples
um sujeito e sua oração
sua pressa e sua verdade,sua fé
que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
que enxerguemos o fato
de termos acessórios para nossa oração
separados ou adjuntos, nominais ou não
façamos parte do contexto da crônica
e de todas as capas de edição especial
sejamos também o anúncio da contra-capa
mas ser a capa e ser contra-capa
é a beleza da contradição
é negar a si mesmo
e negar a si mesmo
pode ser também encontrar-se com Deus
com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
cada um possa se encontrar no outro
até porque...

tem horas que a gente se pergunta...
por que é que não se junta
tudo numa coisa só?



P.S.: Bato continência pro cara que escreveu isso!!!
Pri
=D


Sexta-feira, Outubro 19, 2007
 
Procura da poesia
Carlos Drummond de Andrade



Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.



 
Hoje não escrevo
Carlos Drummond de Andrade



Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.

E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

ENTÃO HOJE NÃO TEM CRÔNICA.


..................................... :/

 
Confira a matéria exibida dia 15/10/2007 no Jornal Nacional, na rede Globo de Televisão, sobre o meu tema de pesquisa: A VOZ DO PROFESSOR!

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM743157-7823-PROFESSORES+BRASILEIROS+ESTAO+PERDENDO+A+VOZ,00.html

Divirtam-se!
Conscientizem-se!
Cuidar da voz nunca é demais, principalmente quando ela é seu principal instrumento de trabalho!!!

Beijos
Pri Haydée
Fonoaudiologanda.... =D

Quinta-feira, Outubro 18, 2007
 
Mundo grande
Carlos Drummond de Andrade

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.


 
Memória
Carlos Drummond de Andrande



Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


 
Pensamentos


VOU TENTAR SEMPRE
Ainda que o tempo, o maior e mais implacável dos carrascos, intente sobre o meu corpo físico, ele nunca terá poder sobre meu pensar, meu saber e minha vontade, pois estes são eternos. Por isto e tão somente por isto que vou tentar sempre, porque nunca é tarde para começar.

Antonio Rogério de Lima Grego


A verdade é sempre o argumento mais forte.
Sófocles

Quem perde os seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais; mas quem perde a coragem, perde tudo.
Esopo

O Medo de sofrer deve ser esquecido porque, todos, sem exceção, quando projetam uma ação de vida, fazem antes uma prospecção para analisar as probabilidades e, se após isto falharem, não há o porquê sofrer, pois havia a consciência.
Antonio Rogério de Lima Grego

Se tivesses ficado calado, terias continuado filósofo.
Boécio

O grande filósofo é um poeta dotado de consciência intelectual.
Walter Kaufmann

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
Platão

A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.
Epicuro

O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros.
Santo Agostinho

... conhece-se melhor a Deus na ignorância.
Santo Agostinho


Sábado, Setembro 22, 2007
 
Reconhecimento do amor
Carlos Drummond de Andrade

Amiga, como são desnorteantes os caminhos da amizade.

Apareceste para ser o ombro suave
onde se reclina a inquietação do forte
( ou que forte se pensava ingenuamente ).

Trazias nos olhos pensativos a bruma da renúncia:
não querias a vida plena,
tinhas o prévio desencanto das uniões para toda a vida,
não pedias nada,
não reclamavas teu quinhão de luz.

E deslizavas em ritmo gratuito de ciranda.

Descansei em ti meu feixe de desencontros
e de encontros funestos.

Queria talvez - sem o perceber, juro –
sadicamente massacrar-te
sob o ferro de culpas e vacilações e angústias que doíam
desde a hora do nascimento,
senão desde o instante da concepção em certo mês perdido na História,
ou mais longe, desde aquele momento intemporal
em que os seres são apenas hipóteses não formuladas
no caos universal.

Como nos enganamos fugindo ao amor!

Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar
sua espada coruscante, seu formidável
poder de penetrar o sangue e nele imprimir
uma orquídea de fogo e lágrimas.

Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu
Em doçura e celestes amavios.

Não queimava, não siderava; sorria,
Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso,
Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor
Que trazia para mim e que teus dedos confirmavam
Ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro,
o Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava,
quando – por esperteza do amor – senti que éramos um só.

Amiga, amada, amada amiga, assim o amor
dissolve o mesquinho desejo de existir em face do mundo
Com olhar pervagante e larga ciência das coisas.

Já não defrontamos o mundo: nele nos diluímos,
e a pura essência em que nos transmutamos dispensa
alegorias, circunstâncias, referências temporais,
imaginações oníricas,
o vôo do Pássaro Azul, a aurora boreal,
as chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos,
todas as imposturas da razão e da experiência,
para existir em si e por si,
à revelia de corpos amantes,
pois já nem somos nós, somos o número perfeito:
UM.

Levou tempo, eu sei, para que o EU renunciasse
à vacuidade de persistir, fixo e solar,
e se confessasse jubilosamente vencido,
até respirar o júbilo maior da integração.

Agora, amada minha para sempre,
nem olhar temos de ver nem ouvidos de captar
a melodia, a paisagem, a transparência da vida,
perdidos que estamos na concha ultramarina de amar



 
Resíduo de poema
Carlos Drummond de Andrade

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.


Quinta-feira, Setembro 13, 2007
 
Exagerado
Cazuza

Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados
Na maternidade...

Paixão cruel
Desenfreada
Te trago mil
Rosas roubadas
Pra desculpar
Minhas mentiras
Minhas mancadas...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar...

Por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado!
Eu adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...